No ar desde 13 de abril de 2004
Ano V
versão 6.1

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SAPERE AVDE IX

Este ano optei por trabalhar com provas dissertativas temáticas. No dia da prova, coloco 4 ou 5 temas na lousa, cada aluno escolhe o seu e deve elaborar um texto dissertativo-argumentativo em 5 parágrafos, com acesso liberado a livros, cadernos e qualquer tipo de material de referência, já que é impossível simplesmente copiar o texto de algum lugar. Como exigência, apenas o uso do conteúdo da disciplina de História como evidências argumentativas. Naturalmente, eles devem apresentar sua posição, desenvolver seus argumentos e apresentar uma conclusão coerente.

Alguns alunos gostam desse sistema. Muitos odeiam. E alguns às vezes perguntam como eu desenvolveria cada um dos temas. Desta vez, resolvi aceitar o desafio e desenvolver um dos meus próprios temas de prova (naturalmente, depois da época das provas e com todas as notas já fechadas) dentro dos mesmos parâmetros, ou seja, 5 parágrafos, 50 minutos e com a estrutura de introdução, argumentação fundamentada no conteúdo acumulado do ano e conclusão. O tema que eles mesmos escolheram foi “A violência necessária para a paz”. Levei 35 minutos. É claro que isso é bem mais fácil para mim, já que História é a minha área e tenho muitos anos de bagagem. De qualquer modo, foi uma experiência divertida.



© Reuters/CORBIS

Qual o preço da paz?
(tema de prova do 3.º colegial, 3.º bimestre de 2008)

É lugar comum afirmar que a violência não é o melhor caminho para se resolver disputas ou que a violência apenas gera mais violência. Esse mesmo senso comum afirma que uma pessoa realmente sensata fará todo o possível para preservar a paz e isso em escala micro e macro. Em geral, condenamos a violência porque ela é uma violação, quase sempre injusta, dos direitos de alguém, quando não de todos. Se há algum benefício, costuma ser para muito poucos ou o preço é alto demais. Apesar disso, em mais uma de nossas evidentes contradições como seres humanos, a violência parece ser o primeiro recurso de muitos, tanto indivíduos quanto sociedades.

A história mostra, de fato, que grande parte dos conflitos violentos tem motivação moralmente questionável. Ânsia de poder e riqueza, ideologias de fundamento duvidoso, intolerância ou simplesmente maldade, entre outros tantos motivos e pretextos. É possível concluir, então, que a violência é um traço absolutamente negativo de nossa natureza. Essa mesma história, contudo, mostra que, em vários momentos, o uso da violência foi o único caminho para que se construísse uma realidade (ou, pelo menos, um projeto) mais justa, ainda que o preço a ser pago fosse o sangue de inocentes, até porque a injustiça é uma violência, mesmo quando o cenário se mantém pacífico na aparência. A questão fundamental é, portanto, em que momento a violência se faz necessária? Analisaremos, rapidamente, dois casos específicos que ilustram muito bem o preço que se paga pela ação ou pela omissão: a Revolução Russa de 1917 e a II Guerra Mundial de 1939 a 1945.

Na virada do século XIX para o XX, a Rússia passou por um processo de modernização conservadora. Em termos econômicos e técnicos, o avanço foi inquestionável. Em termos sócio-políticos, contudo, houve estagnação e até mesmo retrocesso. Privação de liberdade de educação e expressão, manutenção de um regime político autoritário e patrimonialista, opressão e repressão violentas foram a regra durante todo esse período. Apesar disso, a população russa procurou todos os caminhos razoáveis de contestação e negociação. Os movimentos mais exaltados de contestação só surgiram com o agravamento da crise econômica devido às guerras. Foi só quando a situação tornou-se insustentável no que diz respeito à sobrevivência e quando todos os canais de negociação foram fechados (situação evidenciada pela morte de civis durante a repressão oficial a manifestações políticas) que a população recorreu às armas para derrubar o regime czarista. O saldo de mortos foi grande dos dois lados e, no entanto, o certo é que a manutenção do status quo também faria um grande número de vítimas, ainda que em menor velocidade e predominantemente no segmento popular.

Em 1941, EUA e Inglaterra assinaram a Carta do Atlântico, documento no qual reconheciam a responsabilidade pelo início da II Guerra Mundial. As duas potências, mais a França, tinham o poder econômico e militar necessário para obrigar a Alemanha, sob governo nazista desde 1932, a cumprir os tratados assinados ao final da I Guerra Mundial. A fim de evitar um novo conflito, porém, optaram por não intervir, dando aos alemães a possibilidade de reconstituir as Forças Armadas, reativar a indústria e a pesquisa bélicas, participar de maneira direta da Guerra Civil Espanhola, quando colocaram em teste o que havia de mais moderno na tecnologia de guerra alemã, expandir suas fronteiras e posicionar suas tropas em locais estratégicos, o que explica a facilidade com que a Alemanha conquistou a maior parte da Europa logo no início da II Guerra Mundial. Assim, a Carta do Atlântico de 1941 é um marco na história dos confrontos geopolíticos, diretos e indiretos, uma vez que duas das maiores potências da época reconhecem que a não-violência levou à explosão de uma violência com um número muito maior de vítimas do que haveria caso a Alemanha sofresse uma intervenção militar já na década de 1930.

Voltemos ao senso comum. A violência não é o melhor caminho para resolver conflitos, porque tende a gerar mais violência. No entanto, temos aqui dois exemplos muito claros do quanto ela pode ser necessária. No caso da Revolução Russa, a ação violenta dos revolucionários foi fundamental para pôr fim a uma longa série de injustiças que fazia um número igualmente grande de vítimas fatais, mas apenas de um dos lados do conflito. Já na II Guerra Mundial, o empenho unilateral para evitar a guerra acabou exatamente por criar as condições necessárias para que a guerra viesse. Não é caso de questionar o valor da paz, mas de se pensar que a paz nada vale se ela protege uma situação injusta que só pode ser enfrentada com violência, especialmente quando o lado injusto está disposto a usar da violência para preservar a injustiça.



Escrito por Makoto® às 11:39:54
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FLASH VIII


© DC Comics

PÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!!



Escrito por Makoto® às 06:28:05
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SALVE, SÃO MARCOS!!! 400 JOGOS!!!


© Marcos Ribolli

Marcos Roberto Silveira Reis. Para os mais palmeirenses mais fanáticos, São Marcos. Num meio tão controverso como o do futebol, poucos conseguem ser uma unanimidade entre todas as torcidas. Marcos conseguiu e não só por causa de sua brilhante atuação na Copa de 2002. Naquela ocasião, ele já saiu do Brasil consagrado. Voltou imortal.

No Palmeiras desde 1992, o goleiro experimentou bons e maus momentos. Para conseguir a vaga de titular, teve que disputar a posição com outros grandes goleiros. Nenhum deles se queixa de ter sido deixado no banco, afinal, Marcos é competente, valente, uma referência para os companheiros em campo. Também enfrentou lesões, passou por cirurgias, engoliu frangos, sofreu com o desânimo de ficar tanto tempo sem jogar, mas sempre deu a volta por cima. É honesto e bem-humorado, reconhece seus defeitos e cobra a si mesmo muito mais do que a seus companheiros. Não importa o técnico ou o elenco, o time do Palmeiras é formado por Marcos e mais dez.

Em tempos de um campeonato esvaziado de ídolos, de craques vistos apenas pela tela da TV, Marcos é um dos poucos jogadores realmente identificados com um clube. O futebol brasileiro ficará mais órfão quando ele aposentar as luvas e chuteiras.



Escrito por Makoto® às 13:16:13
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LINK XX


© Photo Disc

Faz muito tempo que não divulgo novos links aqui, embora a lista continue aumentando aos poucos (o que significa que tenho mais blogs que gostaria de ler e que não consigo por absoluta falta de tempo). Mas hoje resolvi quebrar o silêncio para divultar um que descobri há poucas horas. É o blog da comunidade GTO - Grandes Tolices do Orkut. O nome já diz tudo. Ainda não li muita coisa, mas o blog e a comunidade são sensacionais, com aquelas pérolas que nos fazem pensar “existe mesmo alguém tão burro?” e coisas do tipo. Eu gosto de pensar que não existem pessoas realmente burras, que cada pessoa tem suas próprias habilidades, mas algumas coisas que andei lendo me fazem duvidar disso.

E já que estou aqui fazendo propaganda de novos links, aproveito para divulgar o meu plantão de dúvidas eletrônico. Criei para atender meus alunos, mas está aberto para qualquer interessado.



Escrito por Makoto® às 13:56:41
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OLÍMPICAS


© Rick Rickman/NewSport/Corbis

Os Jogos já estão quase no final e só agora consigo tempo para escrever sobre eles. Só não fico mais chateado por não ter tempo de comentar porque também não tenho tempo de ver. Ou melhor, tempo até tenho, porque os eventos acontecem de madrugada. O que não tenho é pique para ficar tanto tempo acordado. Sinal dos tempos…


Uma das coisas que não gosto nas Olimpíadas é que muita coisa legal acontece ao mesmo tempo. Gostaria de ter pelo menos 5 TVs para poder assistir tudo ao mesmo tempo. Imagino que ficaria louco, mas seria divertido.


Gostei a cerimônia de abertura, mesmo com a história da menina que cantou mas não apareceu. Isso foi mesmo revoltante, mas não me surpreende, afinal, a China ainda é a China. Os fogos de artifício digitalizados não me incomodaram, afinal, vivemos na era dos efeitos especiais. No geral, foi tudo muito bonito, mas o final foi decepcionante. Não que tenha sido ruim. Foi até interessante ver o sujeito voando e depois andando pela parede até chegar à pira, mas não estava à altura do que foi o resto da cerimônia. Fiquei esperando o momento mágico que marca algumas cerimônias de abertura ou encerramento. Não houve.


Me irrita ver tantos atletas brasileiros pedindo desculpas ao Brasil por não terem conseguido medalhas! Como se o Brasil tivesse feito algo por eles para poder exigir medalhas em troca! O Brasil é que deve pedir desculpas a todos eles por não dar melhores condições de formação e treinamento! Aliás, se for para pensar assim, o Brasil deve desculpas a todos nós! Medalhistas ou não, o que importa é competir (talvez eu seja ingênuo ou romântico demais), porque, ao menos no esporte, a intenção é o que vale, desde que venha acompanhada de esforço.


Se alguém tem que pedir desculpas por não trazer medalha, como sempre, é o futebol masculino. Não fiquei decepcionado porque não sou torcedor e porque nunca imaginei que o Brasil realmente tivesse chance com a preparação que (não) foi feita. Aliás, eu ficaria MUITO decepcionado se a medalha de ouro viesse! Eu disse que a intenção vale desde que venha acompanhada de esforço. Até acredito que a intenção existisse, mas esforço mesmo…


Trabalhar no horário dos jogos gera algumas situações inusitadas. Na terça e hoje, dei as últimas aulas da manhã com um ouvido no jogo (abençoado seja o inventor do fone-de-ouvido!) e o outro para acompanhar a classe. Deixei meus alunos escutarem os jogos, desde que mantivessem o silêncio e não atrapalhassem quem queria ouvir a aula. A molecada ainda duvidou que eu conseguiria fazer as duas coisas ao mesmo tempo, mas sou daqueles que assistem aula, desenham e ouvem música. Dar aula expositiva e ouvir jogo é tranqüilo!


O futebol feminino do Brasil bateu na trave de novo! Pena… Elas realmente mereciam! Mas perder para os EUA também não é nenhuma vergonha. O time americano deste ano está muito melhor do que o de Atenas. O do Brasil também, mas ainda falta poder de decisão e isso só vem com o tempo. Se o trabalho for feito com seriedade (porque até agora depende apenas do coração das meninas e do técnico), acho que em 10 anos teremos uma equipe campeã olímpica ou mundial (talvez os dois).



Escrito por Makoto® às 17:11:28
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5 ANOS, 1 DIA


© Birgid Allig/zefa/Corbis

Quando vemos um casal comemorar vários anos de casamento, a pergunta que todos fazem é “como fazer para o relacionamento não esfriar?” ou algo nesse sentido. Anna e eu ainda não nos casamos, infelizmente, e acho que não tenho a experiência necessária para dizer que tenho uma resposta correta para essa pergunta. De qualquer modo, tenho um palpite.

Acredito que a receita para um bom relacionamento é como a receita para um bom bolo (ou qualquer outra boa comida). Você precisa dos ingredientes e dos utensílios corretos. É preciso saber escolher a combinação de ingredientes e o momento de adicionar cada um deles à mistura, saber quando é preciso mexer na massa e quando é preciso deixá-la descansar. Não adianta ter bons ingredientes se eles não funcionarem juntos. Também não adianta ter vários ingredientes se não for possível distingüir os sabores. O forno tem que estar na temperatura certa. O tempo para o preparo deve ser adequado. Às vezes desanda, mas não se deve jogar tudo fora, porque podemos perder algo especial. O melhor, mesmo, é tentar consertar o bolo para que, mesmo não sendo exatamente como o planejado no começo, ainda seja um bom bolo.

Anna e eu completamos ontem 5 anos juntos. Mesmo depois de todo esse tempo, ainda estamos aprendendo a lidar um com o outro. Conseguimos dar liga à massa, mesmo que volta e meia apareça algo que prejudique um pouco a consistência do relacionamento. Funcionamos como casal, mas também funcionamos como pessoas individuais, temos cada um a própria vida e ficamos felizes quando podemos juntá-la.

Mas ainda falta muito para o bolo ficar pronto, principalmente porque não temos uma receita para seguir. Estamos tentando descobrir nossa própria receita, como faz qualquer um que queira ser um grande confeiteiro. E os grandes bolos, vocês sabem, têm sempre um ingrediente secreto, nem que ele só exista na cabeça de quem faz ou de quem come.



Escrito por Makoto® às 12:51:57
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ALEATEORIAS XXIX

Fim do recesso de julho e estou aqui na escola. Como as aulas começaram no meio da semana, a esmagadora maioria dos alunos deixou para aparecer só na segunda-feira. Resultado: estamos matando tempo aqui na escola. No meu caso, até que é bom, já que não consegui descansar tudo o que precisava e tenho algumas coisas atrasadas dos processos burocráticos.

No momento, estou acompanhando uma turma de alunos que participa de um projeto científico de produção de biocombustíveis. Eles estão elaborando o relatório final e só podem usar o computador da escola se houver um professor responsável. Então, enquanto eles trabalham aqui do lado, eu fico aqui enrolando, fora do meu horário de serviço, passando fome, morrendo de sono porque acordei às 5h da manhã e, o pior de tudo, sem receber nada por isso e nem ter qualquer conexão com o projeto, teoricamente sob supervisão do pessoal de Física, Química e Biologia. Então, aproveito para atualizar o blog e não deixar que o único post de julho seja um flash de poucas linhas.

O tempo em São Paulo está horrivelmente seco. Minha garganta arde, meus olhos também e minha boca está sempre seca, não importa quanta água eu beba. É uma desgraça. Espero que chova logo!

Que fome…



Escrito por Makoto® às 13:22:30
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FLASH VII

O que é uma boa ação de verdade? Devolver o maço de cigarros que alguém deixa cair dentro do ônibus e não percebe ou sumir discretamente com os cigarros e dar ao cara uma chance de fumar menos?



Escrito por Makoto® às 08:03:16
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SAPERE AVDE VIII

OLHAR BRASILEIRO SOBRE A TERRA DO SOL NASCENTE NO SÉCULO XIX

Há 100 anos, desembarcavam em Santos os primeiros imigrantes japoneses, trazidos pelo navio Kasato Maru, originalmente um navio-hospital da marinha russa que foi tomado pela marinha japonesa durante a Guerra Russo-Japonesa. Depois de 52 dias no mar, os 781 imigrantes seriam encaminhados à Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo e, de lá, seguiriam para as fazendas de café, onde esperavam fazer vida fácil. Na época, o Japão já enviava contingentes maiores de imigrantes para outras partes do mundo, principalmente EUA e Peru, a fim de reduzir a população no arquipélago e restaurar o equilíbrio alimentar, já que a guerra contra a Rússia, apesar de vitoriosa, deixara a economia japonesa em dura situação.

O tratado de amizade entre Brasil e Japão fora assinado bem antes, ainda no século XIX, embora um tanto a contragosto para o governo brasileiro, mais interessado em estreitar as relações com as nações européias e com os EUA. Esse desprezo pelo Japão se deve ao fato de que havia uma preocupação muito séria da elite brasileira em realizar um processo de branqueamento na população. Acreditava-se que a raça branca era geneticamente superior e o Brasil, com sua população predominantemente negra, indígena e mestiça, estaria condenado ao fracasso caso não se tornasse, rapidamente, um país branco. Nesse sentido, estabelecer um acordo com o Japão para transferência de população seria um atraso, pois acreditava-se que os únicos imigrantes aceitáveis eram de origem européia ou norte-americana. Ainda assim, o tratado foi assinado, já que outros países sul-americanos tinham tomado tal iniciativa. Com pretensões de ser a nação-líder da América do Sul, o Brasil não poderia se dar ao luxo de não assinar um acordo que seus vizinhos já tinham assinado.

O envio de camponeses japoneses para trabalhar nas fazendas brasileiras seria imediato, se a crise da virada do século não provocasse graves prejuízos aos cafeicultores paulistas (não confundir com a crise de 1929, que também afetou os cafeicultores, mas que aconteceu por motivos bem diferentes). O projeto seria, assim, adiado por cerca de 13 anos.

O que houve de lá para cá já foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Então, não pretendo me alongar aqui. Apenas me preocupei em escrever algo que demonstre que a relação entre os dois países não é exatamente o exemplo de harmonia e respeito tão falada por esses dias, ao menos não em sua origem.



Escrito por Makoto® às 19:57:28
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ALEATEORIAS XXVIII

O inverno finalmente chegou. Agora espero que se demore por aqui mais um pouco, ao invés de ir embora rápido como aconteceu nos últimos anos. Sei que já falei muitas vezes isso, mas eu realmente funciono melhor no frio. Hoje, por exemplo, dar aulas foi muito mais tranqüilo, com o cérebro funcionando mais rápido. O estranho é que minha letra também fica muito esquisita, já que acabo escrevendo mais rápido. Vai entender…

Mudando de assunto, estava assistindo a um jogo da Suíça pela Eurocopa e me deparei com uma questão: como fica o hino nacional de um país que tem quatro línguas oficiais? Será que existem versões nas quatro línguas? E como será que fica o som de quatro línguas diferentes cantando a mesma música ao mesmo tempo? Acho que só indo lá para descobrir.

Ainda estou pensando se escrevo sobre imigração japonesa. Estamos completanto um século aqui e acho que um historiador de origem nipônica não pode deixar passar a data em branco, ainda que o Brasil inteiro à essa altura já esteja saturado de tanto ouvir sobre o assunto. Se escrever, farei isso daqui a dois dias, no aniversário mesmo.

Último assunto do dia, os professores da rede estadual estão em processo de greve. Em nossa escola, ainda estamos tentando chegar a algo próximo de um consenso. Seja como for, minha posição é muito simples: não acredito mais em grandes sistemas políticos e sou contra 2 dos 3 pontos principais do discurso dos grevistas. Ao mesmo tempo, entendo que não temos, como classe profissional, outras possibilidades de luta, de modo que a greve se faz necessária. Mas estou realmente dividido, uma vez que não considero aceitável abrir mão de minhas convicções políticas e fazer parte de uma massa que será manobrada pelos sindicatos, mas tampouco considero aceitável o modo como o Estado tem gerenciado a educação pública e tratado os professores. Tenho a impressão de que qualquer que seja a minha escolha, vou trair alguém.



Escrito por Makoto® às 23:10:40
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Sou quase assim, mas não tão bonito
Filipe Makoto Yamakami,
29 anos, professor de História e Geografia na rede pública estadual, músico e escritor nas horas vagas, residente em São Paulo, SP, Brasil, protestante praticante e ativo, social-democrata (órfão), perdidamente apaixonado por Anna Carolina Bittencourt Russo.

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